[Quarta Parede] Às vezes ela é efêmera…

Dependendo dos caminhos que a sua carreira artística traçar, ela poderá ser efêmera, ou durar por toda a vida. Aos 50 anos, Cintia, atriz e pedagoga, ao longo dos últimos 25 anos, focou-se no estudo de teses que comprovam a importância do estudo teatral na vida de crianças e adolescentes. Estudou pedagogia, mas preferia ser atriz. Precisou de uma renda extra e conseguiu emprego numa escola de teatro. Não gostava de dar aulas para crianças, mas foram exatamente estes os seus alunos. No decorrer do tempo, mudou de opinião e entendeu a importância do educador para a formação de grandes artistas ou de adultos mais conscientes, seguros, comunicativos e desenvolvidos. A arte estimula o intelecto de qualquer indivíduo.

Cintia nunca deixou de atuar. Acreditava que como professora precisava vivenciar a profissão para ensinar e passar bons exemplos aos alunos. Viu muitas crianças chegarem tímidas e com o passar do tempo, se soltarem e ninguém podia contê-las. Ainda bem! Algumas seguiram carreira, outras não. Mas estavam mais aptas para a vida fora dos palcos. Um aluno em especial, nunca saiu de seu pensamento...

O menino Miguel, que há 25 anos era um menor abandonado pela mãe e maltratado pelo pai, e que foi até a escola de teatro para tentar superar suas dores. Encenou o espetáculo “A Bela Adormecida” e encantou seu amigo, Alexandre Arantes, diretor de teatro. E o menino se tornou ator profissional… teve um início de carreira brilhante. Fez algumas peças e atuou em um filme. No pouco tempo em que folgava, entre testes e ensaios, ligava para Cintia e dizia nunca se esquecer daqueles olhos azuis… e a professora sempre que podia. ia assistir aos trabalhos do seu eterno aluno.

O tempo passou e Miguel, já adolescente assistiu a uma peça de Cintia. Estava crescendo. Aos 16 anos era um belo rapaz, de olhos pretos, grandes e expressivos. Mas ele estava muito agitado e não parecia totalmente feliz. A atriz não se atentou a isso e logo esqueceu. Algum tempo depois, descobriu que o rapaz tinha ido embora para o estado do Ceará, terra natal de sua mãe… e foi justamente com ela que ele partiu.

A assistente social escondeu de Cintia que o menino havia se envolvido com drogas, influenciado por más companhias. Já não era mais o mesmo menino brilhante de grande talento e a recuperação da mãe veio como uma suposta salvação. Ela arranjou um bom emprego na sua cidade natal e quis o filho de volta.

Cintia nunca mais teve notícias de Miguel, mas em suas lembranças, mesmo que os caminhos o tenham levado para uma carreira efêmera, ela tem certeza do quanto o teatro foi importante em sua vida e quanto o ajudou em seus piores momentos.

Por Luana Manso
Revisado por Zilma Barros

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