[São Paulo] História de transexual brasileira morta em Portugal continua em cartaz em São Paulo

Gisberta Salce Junior foi para Portugal com 20 anos para fugir dos homicídios contra transexuais em São Paulo, acabou morta num poço, no Porto, aos 45 anos. Foi o culminar de vários dias de agressões de rapazes entre os 12 e os 16 anos. O caso provocou o debate sobre transfobia, encheu páginas de jornais e mudou as leis em Portugal.
Dez anos depois a Cia. Barbante sob direção de Renato Andrade , está revivendo essa história no palco do Espaço Parlapatões, em São Paulo até o dia 28 de agosto.

Gisberta
Gisberta viveu em Portugal em uma época em que havia uma grande discriminação contra pessoas trans, tendo, extrema, dificuldade de arrumar empregos legalizados, a fim de completar suas despesas. Após anos de glamour ela encontra a decadência de sua carreira nos palcos devido ao consumo de drogas e algumas doenças, acaba por encontrar abrigo em um prédio abandonado, e nele Gisberta passa a receber visitas solidárias de um garoto. Tudo ia bem para Gisberta, até o garoto contar aos seus colegas de escola sobre a existência da brasileira e o local onde ela morava. Ele e mais treze colegas passaram a freqüentar a casa de Gisberta, mas dessa vez não para visitas solidárias, mas sim, para violentar, abusar e humilhar à imigrante. Eles se revezavam em pequenos grupos, para torturá-la.

A morte de Gisberta mobilizou, emgis peso, diversas instituições de apoio à população LGBT, que saíram às ruas em protesto pedindo justiça e alteração nas leis do país. Portugal tornava-se, assim, um dos mais países mais modernos, do mundo, no que se diz respeito aos direitos humanos aos transgêneros. Segundo Sergio Vitorino, ativista do movimento social Panteras Rosas, o assassinato de Gisberta mudou a maneira como a sociedade olhava para as mulheres trans, mudou o modo com a imprensa cobria as mulheres trans e estimulou a criação de leis que promovessem a igual de gêneros, fazendo assim, com que o caso Gisberta se tornasse um divisor de águas, na história de Portugal.

Cia. Barbante
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Formada por alunos da 60° turma do INDAC – Escola de Atores – em 2014, já realizaram montagens como “Sonho de uma noite de verão”, de Shakespeare, “Gota D’Água”, de Chico Buarque e “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues. Em sua trajetória os atores passaram por grandes nomes como Marcos Suchara, Inês Aranha, Kiko Marques e Renato Andrade.

A Peça
MG_2546Balada de Gisberta é uma história baseada em depoimentos, contos e fatos da vida de Gisberta Salce Júnior, uma transexual paulistana que deixa o Brasil e muda-se para Europa para fugir da violência da cidade. Às margens do Rio Douro, na cidade do Porto, ela descobre os prazeres e os infortúnios de ser quem realmente é. Contudo, Gisberta não consegue fugir de seu destino trágico e acaba sendo brutalmente assassinada em terra lusitanas em 2006.
Os contos utilizados são de grandes nomes como Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, Anderson Herzer, Plínio Marcos, Gregório Duvivier e Emmanuel Darle; A peça ainda conta com depoimentos reais como o de Maitê Schnider, diretora de teatro em Curitiba/PR, que em um ato de desespero tentou fazer a cirurgia de redesignação sexual sozinha em casa.

A peça teve sua primeira temporada nos dias 11, 12 e 13 de junho no INDAC – Escola de Atores de São Paulo, pelas mãos dos alunos da 60° turma – atual Cia. Barbante – e foi sucesso de público, com todas as sessões lotadas.
Desde o início de sua segunda temporada, que começou no dia 16 de julho no Espaço Parlapatões, as sessões também estão lotadas, com ingressos se esgotando rapidamente.

O que foi dito…
“Dia mega especial pra mim, uma feliz sincronicidade da vida estar em São Paulo e poder  conferir a peça “Balada de Gisberta” da Companhia Barbante, que conta uma história muito especial e necessária…. Fala de uma verdade que normalmente é escondida, de uma história que quase sempre é negligenciada e de uma morte que é sempre indigente. Um orgulho ter uma parte de minha história de vida contada, e de servir de exemplo para jovens tão talentosos,tão cheios de vida e com tanta vontade de revolucionar este mundão através da arte. Obrigada pelo presente que me deram… amei de todo meu coração….. Vocês compuseram com chave de ouro , poética e muita força este lindo e necessário trabalho.” Maitê Schneider

“Que delícia assistir. Contaram a história lindamente e de forma tão sensível, apesar de ser um tema pesado. Fiquei muito emocionada. Foram tapas na cara, engolidas secas, risadas nervosas, desaguei um mar inteiro. Muito orgulho de vocês! Parabéns!!” Érica Sanches

“Parabéns! Trabalho impecável. Um tema tão duro  tratado com tanta delicadeza. Emocionante.” Eliana Rímoli Alves

“Peça de expandir a consciência…” Viviane Delvaux 

“História mais do que importante de ser contada.” Dante Passarelli

“Ainda sem palavras pra descrever o (necessário) soco no estômago que foi assistir a esse espetáculo (de utilidade pública); diz a balada de Gisberta que “o amor é tão longe e a dor é tão perto” e essa tem sido a realidade de transexuais, homossexuais, bissexuais… mas há de acabar toda a dor, há de reinar só o amor, um dia…obrigado pelo espetáculo, pela catarse e pela arte!” Lucas Sanches 

 

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Sinopse:
Após deixar o Brasil, Gisberta muda-se para Europa para fugir de seu trágico destino.  Às margens do Rio Douro, descobre os prazeres e os infortúnios de ser quem realmente é.

Direção: Renato Andrade
Assistencia de direção: Leandro Oliveira e Luciana Severi
Direção musical e composições: Paula Duarte
Preparação Vocal: Luciana Severi
Luz: Maristela Pinheiro
Som: Henrique de Paula e Felipe Tonelli
Maquiagem: Yheuriet Kalil
Contrarregra: Johnny Menacci
Fotos: Allan Bravos e Hugo Cechetto
Elenco: Abelardo da Hora, Bárbara Ablas, Bruno Ferrette, Danny Cattan, Eli Faria, Fernanda Titânia, Filipe Miranda, Gabriela Costa, Jessica de Queirós, Juliano Bonfim, Magê Cechetto, Mario Américo, Osmar Souza, Paula Ferreti, Sérgio Marques e Simone Makhamra

Serviço:
Balada de Gisberta
de 16/07 a 28/08
Sábados 23h59 e Domingos 17h01
Local: Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro – SP
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (meia)
Para comprar online: CLIQUE AQUI
Classificação etária: 18 anos
Duração do espetáculo: 70 minutos

Horário de atendimento da bilheteria:
De terça a quinta – das 16h às 21h
Sexta e Sábado – das 16h à meia-noite
Domingo das 16h às 20h
Tel.: 11 3258-4449.
Estacionamento : Garagem Imeri (Praça Franklin Roosevelt – 194)

Apoio: Parlapatões, Restaurante Planeta’s, Cantina Luna di Capri, Cantina e Pizzaria Piolin e Atores da Depressão.

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Evento – Balada de Gisberta

Confira algumas fotos:

Mais fotos: Lentes de Impacto

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