[Atores Entrevista] Bandida

Fomos conferir a peça Bandida, que está em cartaz na Sede das Cias. Fizemos um bate – papo legal com o diretor e escritor da peça, Leandro Bacellar, e umas fotos maravilhosas. Não vai ter quem não queira ir assistir depois dessa. Confere aí.

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AD: Você é roteirista. Como que surgiu a ideia dessa peça? Ela foi baseada em que? Quais foram as inspirações?

LB: Escrevi essa peça em 2010/11 e ela veio de uma pesquisa que fiz de Nelson (Rodrigues). Ela é baseada no universo das crônicas dele, não é bem uma colagem, mas me aproveito, obviamente, de vários traços, principalmente das coisas específicas do Nelson, né, como moralidade, misoginia, algumas questões relacionadas aos amantes, aos cunhados, mas basicamente, a peça Bandida fala exclusivamente de amor, é o tema principal.

Bandida_-8.jpgAD: E o processo da montagem, que não tinha patrocínio, e ai todo mundo acaba assumindo outras funções também. E você acha que isso dá um gosto a mais na hora de apresentar?

LB: Eu acho que sim. Embora, até quando temos dinheiro acaba sendo na raça também. Porque a gente não ganha o justo pelo nosso trabalho. Mas nessa peça eu acredito que sim porque todo mundo teve que fazer tudo “no amor”. Eu não gosto dessa expressão “no amor”, eu acho que todo mundo investiu na peça de uma maneira que vale a pena, todo mundo investiu não só tempo, porque a gente sabe que tempo de ator é dinheiro, né. A grande remuneração do trabalho é conseguir difusão, fazer a peça andar, é isso que a gente torce. Vamos amadurecer nessa primeira temporada, que é a estreia, mas a gente espera que esse gosto venha agora e que esse retorno comece a aparecer junto com o investimento que as pessoas fizeram.
O processo, por ser uma peça que não tinha nenhum tipo de patrocínio, foi curto o tempo de ensaio, foram três meses e só durante a semana. E foi pancadão, foi bem rápido.

AD: Como você espera atingir o público, o que Bandida_-10.jpgespera de reação? Como quer tocar o público?

LB: Olha, essa peça ela é um retrato, é feita para o público. A gente faz por que gosta, obvio, vou dar um exemplo bem bobo, essa peça não tem nenhum palavrão, é claro que a gente tá trabalhando hoje com os nosso contemporâneos, mas a gente faz uma peça que é meio estilizada, os sentimentos, o próprio melodramático, a gente que tocar justamente nas pessoas reconhecendo, falando “ a minha família é mais ou menos assim” ,“a minha tia”. Acabam se reconhecendo na peça que tudo é tão alto, tão agudo, sabe? Os amore são tão agudos, as expressões, o entendimento familiar, a confusão familiar é tão aguda que talvez as pessoas vão achar alguma coisa, embora a peça tenha grandes arroubos, talvez seja se reconhecer também nesses arroubos. É uma peça de auto reconhecimento que as pessoas vão se encontrar nesse mundo que é meio Almodovar, meio Hitchcock, meio bagunçado por aí. A peça tem um exagero mas muito mais haver com essa coisa da comédia trágica. E a história ela é um rocambole, é uma costura muito louca, e a plateia fica presa para saber o que vai dar aquele tanto de informação, abre-se muito plot e no final fica “a tá, entendi ou não entendi?” e isso que é o legal.

Bandida_-19.jpgAD: Essa não é a primeira vez de vocês aqui na Sede, já tem uma história aqui. E ai como que é estrear e despedir da casa?

LB: Ai, é doído, né?! Essa é a segunda vez que eu “enterro” um teatro, quando fizemos Rosa Negra foi em um teatro que estava sendo fechado pela prefeitura, estava muito mal cuidado, e antes ele era um matadouro de porco e virou teatro, mas a peça era sobre apocalipse.
Mas eu acho que a Sede tem sobrevida, acho que isso é uma pausa e não um fim. Nós vivemos um momento político muito complicado, um momento que todo mundo está discutindo um monte de coisas, abre MinC, fecha MinC, enfim, eu acho que vai chegar uma hora que as coisas vão se normalizar e a gente vai ter a Sede das Cias de volta. Estou tentando ser otimista, até porque no teatro temos que ser otimista, né, senão a gente nem começa.

AD: Esse processo político que estamosBandida_-29.jpg enfrentando, nós atores somos a linha de frente. A peça é um melodrama, existe algum cunho político também?

LB: Não. A gente faz um brincadeira, uma alfinetada no final mas, a peça é completamente na contra mão. Uma questão da peça e que se debate muito hoje é o empoderamento feminino. São oito atores, quatro mulheres e quatro homens e, o mais legal dessa dramaturgia, é que está nos quatro personagens femininos, elas é que movimentam a história, são realmente as protagonistas da trama e os desejos delas é que são atendidos, então a peça abre uma discussão que é a mulher falando, elas podem recorrer a coisa malucas para conseguir o que elas desejam mas, elas vão atrás disso. E mulheres nos anos 40 não falavam, né, obedeciam o marido e iam para a cozinha, essas não! Elas não são submissas e elas impõem, é uma virada de jogo, e talvez seja a única questão política que ela traz.

Sinopse:
B A N D I D A utiliza o melodrama para contar a história de Cecília, que no dia do casamento do irmão mais novo, Bernardo, recebe a visita da irmã Nelma, que está gravemente doente. As duas acumulam inúmeras desavenças, a maior delas é Ernando, marido de Cecília, alvo incontestável do amor das irmãs. Afastada durante anos por Cecília, Nelma retorna para cobrar o seu posto na família.
A relação fica ainda mais conturbada quando Nelma descobre um diário, escrito pelo irmão, relatando detalhes das traições de Cecília. A partir daí as personagens lançam mão de inúmeras artimanhas para conseguir o que desejam.
O tango e o bolero ressoam. O sangue escorre das mãos enquanto os personagens defendem os seus amores. O palco nu revela um grande casarão na cidade do Rio de Janeiro, a montagem revisita o imaginário da moralidade carioca tão bem representado por Nelson Rodrigues em sua vasta obra.
Retratando o amor, que esvai, pulsa, lateja, transborda até sangrar, a peça verte-se na direção de uma cena tensa, trágica e cômica.

Serviço:
Temporada: 01 a 23 de Junho (Terças, Quartas e Quintas)
Horário: 20:00
Duração do espetáculo: 65 minutos
Classificação Etária: 14 anos
Gênero: Comédia Trágica
Valor do Ingresso: Inteira – R$30,00 / Meia – R$15,00
Capacidade: 60 lugares
Local: Sede das Cias
Endereço: Rua Manuel Carneiro, 12. Escadaria Selarón – Lapa
Informações: (21) 2137-1271 Bilheteria aberta a partir das 19h.
www.facebook.com/sededascias
www.facebook.com/grupoteatroemporio
Estacionamento próximo ao teatro: Rio Antigo Park (Rua Teotônio Regatas s/n, ao lado da Sala Cecilia Meireles)

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia e Encenação: Leandro Bacellar.
Direção de Produção: Leandro Bacellar e Luísa Reis.
Direção de Movimento e Coreografias: Rodrigo Gondim
Produção Executiva: Ramon Alcântara, Marcela Büll, Luciano Borges.
Elenco: Carolina Lavigne (Ritinha), Diego Carneiro (Heitor), Felipe Santoro (Bernardo), Luciano Borges (Ernando), Letícia Iecker (Cecília), Luiz Fernando Lopes (Oswaldinho), Nívia Terra (Nelma), Stace Mayka (Nair).
Desenho de Iluminação: Lara Cunha
Figurinos e Adereços: Ramon Alcântara
Costuras: Lúcia Lima
Visagismo: Rodrigo Reinoso
Cabelos e Penteados: Débora Saad
Programação Visual: Leandro Bacellar
Fotografias para Divulgação e Comunicação Visual: Bob Maestrelli
Coordenador Técnico e Operador de Som: Maurício Ramos de Aguiar
Operador de Luz: Ramon Alcântara
Site: Ana Carolina Vasconcelos
Conteúdo: Empório Criativo
Realização: Grupo Teatro Empório

Entrevista: Bruna Leal
Fotos: Lucas Asseituno

Confira as fotos:


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