[Rio] Prefeitura corta 25% do orçamento dos teatros municipais

A Prefeitura do Rio informou aos gestores dos teatros da rede municipal a redução de 25% do orçamento previsto para 2017. A carta enviada no início de março aos responsáveis pelas casas, à qual O GLOBO teve acesso, pediu a eles que enviassem um novo plano de trabalho, considerando o corte. No caso de não aceitação dos termos, os contratos de residência seriam cancelados. O primeiro impacto a ser sentido pelo público será a redução nos horários de funcionamento dos teatros, de seis para cinco dias por semana.

— Fomos informados de que podíamos fazer o que quiséssemos para cumprir essa meta, como readequar nosso nível de exigência artístico ou técnico, ou seja, trabalhar com menor qualidade. Podíamos inclusive reduzir o tempo de funcionamento, o que faremos. Escolhemos fechar um dia a mais por semana — informou um dos gestores, que não quis ter o seu nome divulgado.

PAUTAS ESTAVAM FECHADAS ATÉ MAIO

A medida atinge o Espaço Sérgio Porto, a Sala Municipal Baden Powell e os teatros Café Pequeno, Carlos Gomes, Maria Clara Machado, Ziembinski, Gonzaguinha, Ipanema e Serrador. Ela é decorrente do Decreto nº 42.728/2017, publicado no dia 1º de janeiro, no qual o prefeito Marcelo Crivella anunciou a revisão dos contratos em vigor da Prefeitura. O texto do documento previa a redução de 25% em todos os contratos de todas as secretarias — “(…) tendo em vista a crise financeira do país, o momento dramático do Governo do Estado, a redução da arredação e o déficit orçamentário encontrado no caixa da Prefeitura da ordem de R$ 4 bilhões”, argumentou, por e-mail, a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura.

 A meta geral do governo é enxugar os custos da Prefeitura em cerca de R$ 3,5 bilhões — para isso, entre outras medidas, reduziu o número de secretarias de 24 para 12 e exonerou funcionários não concursados. Na Cultura, os R$ 25 milhões do Edital de Fomento às Artes de 2016 corre o risco de não ser pago, como admitiu a secretária Nilcemar Nogueira em fevereiro:

— Temos R$ 15 milhões aprovados para fomento em 2017, e R$ 25 milhões não pagos, de projetos sem contrato, do ano passado. O que você faria? Eu conversei com o prefeito. O valor será pago, mas não tenho como dizer quando.

O atual modelo de gestão dos teatros da rede municipal foi definida num edital lançado em 2015, pelo então secretário de Cultura Marcelo Calero. A partir do edital, foram determinados contratos de residência artística válidos por dois anos, entre março de 2016 e março de 2018. O corte de 25% afetará a manutenção da programação dos teatros, que já estavam com suas pautas fechadas pelo menos até maio — alguns espaços estavam ainda mais avançados — quando receberam o comunicado da Prefeitura informando que deveriam se readequar ao novo orçamento.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria da prefeitura não se manifestou sobre o assunto até a hora do fechamento desta reportagem.

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