[Vida e Obra] Bertolt Brecht

Biografia

Resultado de imagem para Bertolt BrechtBrecht (Eugen Bertholt Friedrich Brecht) nasceu no Estado Livre da Baviera, no extremo sul da Alemanha, em 10 de fevereiro de 1898 , estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Era filho de Berthold Brecht, diretor de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing , protestante, que fez seu filho ser batizado nesta igreja.

Suas primeiras peças, Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) (1918-1920), foram encenadas na vizinha Munique. Em sua participação no teatro Brecht conhece o diretor de teatro e cinema Erich Engel, com quem veio a trabalhar até o fim da sua vida.

Depois da primeira grande guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico Herbert Ihering chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalha inicialmente com Erwin Piscator, famoso por suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projeções de filmes, cartazes, etc. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.

O Nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanhainfluências da recém formada União Soviética.

Com a eleição de Hitler, em 1933, Brecht exila-se primeiro na Áustria, depois Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos.

Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de consciencialização e politização.

Teve três filhos com Helene Weigel: Stefan Brecht, Barbara Brecht-Schall e Débora Destefani Brecht. Faleceu em Berlim Leste, 14 de agosto de 1956.

Obra

As suas principais influências foram Constantin Stanislavski, Vsevolod Emilevitch Meyerhold, Erwin Piscator e Viktor Chklovski.

Algumas de suas principais obras são: Um Homem é um Homem, em que cresce a ideia do homem como um ser transformável, Mãe Coragem e Seus Filhos, sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio, no começo da Segunda Guerra Mundial, e A Vida de Galileu. Afirma Bernard Dort a respeito deste último:

Além dessas, escreveu também O Senhor Puntila e seu criado MattiA Resistível Ascensão de Arturo UiO Círculo de Giz CaucasianoA Boa Alma de SetzuanA Santa Joana dos matadouros e A Ópera dos Três Vinténs.

Teatro Épico

Ver sobre: Teatro Épico
“Bertolt Brecht”. Escultura de bronze, por Fritz Cremer. Praça Bertolt Brecht, em Berlim, em frente ao Berliner Ensemble

Não é simples falar sobre o conceito que Brecht tinha do teatro, apesar de ao longo de 30 anos haver escrito ensaios e comentários sobre este tema. Este autor era mais um pensador prático, que sempre recriava suas peças ou “experimentos sociológicos”, como as preferia chamar, no intuito de aperfeiçoá-las. Pois era através delas que toda sua teoria, crítica e pensamento seriam expostos.

Além de dramaturgo e diretor, Brecht foi responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro épico, uma das grandes teorias de interpretação do século XX. Uma das grandes influências no desenvolvimento desta forma de interpretação foi a arte do ator Mei Lan-Fang, que Brecht acompanhou numa representação em Moscou em 1935.

Descreve Brecht em Escritos sobre Teatro um relato deste ator chinês que informa muito sobre a forma de interpretação no teatro épico, ao representar papéis femininos. Mei Lan-Fang repetira várias vezes numa palestra, por seu tradutor, que ele representava personagens femininos em cena, mas que não era imitador de mulheres. Continua Brecht, descrevendo uma demonstração das técnicas deste ator num encontro, que este ator, de terno, executava certos movimentos femininos, ressaltando sempre a presença de duas personagens, um que apresentava e outro que era apresentado. Brecht sublinha que o ator chinês não pretendia andar e chorar como uma mulher, mas como uma determinada mulher (pg40, vol2).

Interpretação épica

Segundo Rosenfeld, “Foi desde 1926 que Brecht começou a falar de ‘teatro épico’, depois de pôr de lado o termo Resultado de imagem para Bertolt Brecht‘drama épico’, visto que o cunho narrativo da sua obra somente se completa no palco” (ROSENLD, 1965, p. 146), é possível inferir, portanto, a importância que a encenação tem para os textos brechtianos. É só através da atitude dos atores, do cenário, da música, dos sons e até do silêncio que seu pensamento se completa, só através destes elementos que seu texto causará o efeito desejado, caso o contrário não causará o impacto devido.

No início de sua carreira Brecht estabelece os elementos de uma nova forma de interpretação para o ator. Em, a propósito dos critérios de apreciação da arte dramática, defende o ator Peter Lorre de críticas negativas dizendo que uma interpretação gestual levará o público a exercer uma operação crítica do comportamento humano. Afirma que cada palavra deve encontrar um significado visual e através do gesto o espectador pode compreender as alternativas da cena (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68).

Peixoto descreve que para Brecht a interpretação gestual deve muito ao cinema mudo, principalmente a Chaplin, que elaborara uma nova forma de figuração do pensamento humano (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68). Esta preocupação levará a que Brecht defina o conceito de gestus na interpretação e montagem de suas peças.

Influências

Conforme destaca Fredric Jameson, em seu Método Brecht, algumas das inovações propostas pela cena brechtiana são similares àquelas propostas por importantes artistas modernistas no teatro ou em outras artes. Destacam-se entre eles a dramaturgia de Frank Wedekind, influência reconhecida pelo próprio Brecht, o romance Ulysses de James Joyce, as propostas cubo-futuristas de Maiakovski, ou construtivistas no cinema de Sergei Eisenstein e, principalmente, os postulados do diretor de teatro Meyerhold e os procedimentos de colagem nos trabalhos de Picasso.

Willet, por outro lado, reforça o aspecto da construção narrativa em seu trabalho: Com Brecht os mesmos princípios de montagem espalham-se ao teatro pois a forma narrativa do teatro épico seria mais adequada para se lidar com temas sócio-econômicos, evidenciando Willet que a montagem foi a técnica estrutural mais natural na prática artística brechtiana (1978, 110).

Referências

  • Brecht, Bertolt. Escritos sobre el Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión. 3 vols. 1970, 1973, 1976.
  • Garcia, Silvana. As Trombetas de Jericó. Tese de doutorado. Eca/USP. 1997.
  • Jameson, Frederic. Método Brecht São Paulo: Vozes, 1999. ISBN 85-326-2298-4
  • Peixoto, Fernando. Brecht Vida e Obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974. 2ª. Edição.
  • Zuolin, Huang. Brecht e o Estranhamento no Teatro Chines in Brecht and East Asian Theatre.
  • Willet, John. O Teatro de Brecht. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.

Livros e artigos

  • Anatol Rosenfeld. O Teatro Épico. SP: Editora Perspectiva, 1985.
  • Bertolt Brecht. Escritos sobre Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión. 3 vols. 1970, 1973, 1976.
  • Gerd Bornheim. Brecht a Estética do Teatro. Rio de Janeiro: Graal, 1992.
  • Eduardo Luiz Viveiros de Freitas. Dossiê Brecht, 2005

Peças de teatro

  • Baal (Baal) 1918/1923
  • Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) 1918-20/1922
  • Os mendigos (Der Bettler oder Der tote Hund) 1919/?
  • O Casamento do Pequeno Burgues (Die Kleinbürgerhochzeit) 1919/1926
  • (Er treibt einen Teufel aus) 1919/?
  • Lux in Tenebris (Lux in Tenebris) 1919/?
  • (Der Fischzug) 1919?/?
  • (Mysterien eines Friseursalons) (roteiro para cinema) 1923
  • Na Selva das Cidades (Im Dickicht der Städte) 1921-24/1923
  • A Vida de Edward II da Inglaterra (Leben Eduards des Zweiten von England) 1924/1924
  • (Der Untergang des Egoisten Johnann Fatzer) (fragmentos) 1926-30/1974
  • O Homem é um Homem (Mann ist Mann) 1924-26/1926
  • O Elefante Calf (Das Elefantenkalb) 1924-6/1926
  • Mahagonny (Mahagonny-Songspiel) 1927/1927
  • A Ópera dos Três Vinténs (Die Dreigroschenoper) 1928/1928
  • Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny (Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny) 1929/1930
  • O Vôo no Oceano (Der Ozeanflug; originally Lindbergh’s Flight [(Lindberghflug]) 1928-29/1929
  • A Peça de Baden-Baden (Badener Lehrstück vom Einverständnis) 1929/1929
  • Happy End (Happy End) 1929/1929
  • Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny (Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny) 1927-29/1930
  • Aquele que diz Sim, Aquele que diz Não (Der Jasager; Der Neinsager) 1929-30/1930-?
  • A Decisão (Die Maßnahme) 1930/1930
  • Santa Joana do Matadouros (Die heilige Johanna der Schlachthöfe) 1929-31/1959
  • A Exceção e a Regra (Die Ausnahme und die Regel) 1930/1938
  • A Mãe (Die Mutter) 1930-31/1932
  • Kuhle Wampe (roteiro para cinema) 1931/1932
  • Os Sete Pecados Capitais (Die sieben Todsünden der Kleinbürger) 1933/1933
  • Cabeças Redondas, Cabeças Pontudas (Die Rundköpfe und die Spitzköpfe) 1931-34/1936
  • Horácios e Curiácios (Die Horatier und die Kuriatier) 1933-34/1958
  • Terror e Miséria no Terceiro Reich (Furcht und Elend des Dritten Reiches) 1935-38/1938
  • Os Fuzis da Senhora Carrar (Die Gewehre der Frau Carrar) 1937/1937
  • Galileo Galilei (Leben des Galilei) 1937-9/1943
  • Quanto Custa o Ferro (Was kostet das Eisen?) 1939/1939
  • (Dansen) 1939/?
  • Mãe Coragem e Seus Filhos (Mutter Courage und ihre Kinder) 1938-39/1941
  • O Julgamento de Lucullus (Das Verhör des Lukullus) 1938-39/1940
  • O Senhor Puntila e seu criado Matti (Herr Puntila und sein Knecht Matti) 1940/1948
  • A Boa Alma de Setsuan (Der gute Mensch von Sezuan) 1939-42/1943
  • A Resistível Ascensão de Arturo Ui (Der aufhaltsame Aufstieg des Arturo Ui) 1941/1958
  • Hangmen Also Die (roteiro cinema) 1942/1943
  • As Visões de Simone Machard (Die Gesichte der Simone Machard ) 1942-43/1957
  • Schweik na Segunda Guerra Mundial (Schweyk im Zweiten Weltkrieg) 1941-43/1957
  • O Círculo de Giz Caucasiano (Der kaukasische Kreidekreis) 1943-45/1948
  • Antígone (Die Antigone des Sophokles) 1947/1948
  • Os Dias da Communa (Die Tage der Commune) 1948-49/1956
  • The Tutor (Der Hofmeister) 1950/1950
  • O Julgamento de Lucullus (Die Verurteilung des Lukullus) 1938-39/1951
  • (Herrnburger Bericht) 1951/1951
  • Coriolanus (Coriolan) 1951-53/1962
  • O Julgamento de Joana D’Arc, 1431 (Der Prozess der Jeanne D’Arc zu Rouen, 1431) 1952/1952
  • Turandot (Turandot oder Der Kongreß der Weißwäscher) 1953-54/1969
  • Don Juan (Don Juan) 1952/1954
  • Trumpetes e Tambores (Pauken und Trompeten) 1955/1955

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