[Vida e Obra] Kazuo Ohno

Imagem relacionadaNascido na ilha de Hokkaido em 27 de outubro de 1906, Ohno só começou a dançar em 1933, quando entrou para o estúdio de Baku Ishii (Dançarino e coreográfo japonês), influenciado pela dançarina de flamenco La Argentina – a quem homenageou anos mais tarde. Ohno foi um dos criadores do butô, estilo de dança moderna que inclui teatro em suas apresentações, desenvolvido ao lado de Tatsumi Hijikata.

Vida Pessoal

Kazuo Ohno transferiu-se, com 14 anos, para o Escola Secundária Pública de Ohdate, na província de Akita. Praticou diversos esportes, como esqui e o tênis, e chegou a estabelecer um novo recorde dos 400 metros rasos na província: 57 segundos. Depois de formado trabalhou como professor substituto numa pequena escola primária de 3 professores e 60 alunos, em Hokkaido. No ano seguinte, ele foi para Tóquio e entrou na Escola Atlética do Japão. Neste mesmo ano, foi convocado para o Exército. Em 1928, depois de cumprir o serviço militar, retornou para a Escola Atlética, onde estudou Exercícios dinamarqueses e exercícios de expressão do alemão Rudolf Bode.
No ano seguinte, Kazuo assistiu uma performance da dançarina espanhola Antonia Mercé (La Argentina) que muito o impressionou. Esta experiência o faria seguir, mais tarde, a carreira de dançarino. É também neste período que ele se converteu ao cristianismo.

Imagem relacionadaEm 1933, casou-se com Chie Ohtake. Em seguida, foi estudar na Escola de Dança Baku Ishii durante um ano,, começou a estudar com Takaya Eguchi, discípulo de Mary Wigman, e aprendeu “Die Neue Tanz” (a nova dança) na Alemanha, passando a ser um dos líderes da dança moderna no Japão. Em 1938, ano em que nasce seu 2º filho Yoshito, Ohno é designado segundo tenente do exército japonês. No ano seguinte, o Exército do Japão o envia para o fronte de guerra no norte da China. Em 1945, após lutar na China, Palau e Nova Guiné, Ohno acabou prisioneiro de guerra de uma tropa australiana. Libertado no ano seguinte, voltou ao Japão onde retomou os estudos de dança com Takaya Eguchi.

Promoveu a sua primeira apresentação de dança moderna em 1949, no Kanda Music Hall, em Tóquio. Em 1953, realizou uma apresentação, junto com o seu grupo de dança, na televisão estatal japonesa NHK. No ano seguinte, Kazuo Ohno conheceu Tatsumi Hijikata, com quem, em 1960, participaria do Tatsumi Hijikata Dance Experience Concert. É nessa época que pela primeira vez aparece o termo Dança da Trevas (Ankoku Butoh). O primeiro espetáculo de butô, combinação de teatro e dança, “Kinjiki”, surgiu, baseado em romance homônimo do escritor Yukio Mishima (1925-70).

Teatro Butoh

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Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno

O Butoh é o resultado, não artístico, mas muito mais filosófico, da confluência de duas culturas completamente opostas e nitidamente anacrônicas: a ocidental, que vinha sendo consubstanciado pelos idos da modernidade de uma ideologia americana dos anos 50; e pela oriental, extremamente embasada em séculos e séculos da mais pura tradição milenar japonesa.

Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, buscaram nas vanguardas europeias, como no expressionismo, no cubismo e no surrealimo, e nas danças japonesas, como Nô e Bugaku, a inspiração para a criação de suas artes.

Seguindo a estética de artes que tinham como proposta a subversão de convenções, caracteristicamente assumidas pelas vanguardas, o Butoh busca uma forma de expressão que não seja necessariamente coreografada, nem presa a movimentos estereotipados que remetam a uma técnica específica. O Butoh preocupa-se em expressar a individualidade do butoka, sem máscaras e véus de alegoria; expressar o que o ser humano tem de verdade em sua alma, em seu espírito, mesmo que para isso desvende o que pode haver de mais sórdido, solitário e trevas no interior do dançarino. E para que isso seja expresso, não cabe que o meio pela qual se dá a expressão seja preso à convenções que mascaram a verdade da alma humana. O que deve ser feito, segundo a filosofia Butoh, é libertar-se das formas do corpo e do pensamento.

Imagem relacionadaKazuo Ohno utilizava termos bastante sugestivos para a transmissão de seus conhecimentos aos seus discípulos, tais quais: o corpo morto – o qual sugere um corpo e uma alma vazia, livre, leve, sem empecilhos que o impeça de expressar-se. Aqui também está incluso a ideia do “olho de peixe” que lembra os olhos de um cadáver, sem vida e estático, porém, assim como o peixe, extremamente vivo e pronto para reagir, assim como deve ser o butoka; crazy dance, free style – referindo-se ao livrar-se de convenções que estipulam os movimentos do corpo e da mente, uma expressão pura, completamente concernente à peculiaridade de cada butoka; o passado, os mortos – segundo Kazuo, só somos hoje o que somos, graças aos nossos mortos; aqui está inclusa a ideia do zen budismo da transitoriedade das coisas, de que é necessário a morte para que haja a vida.

Como toda a arte que fica grafada nas páginas da história, o Butoh expressa o que é universal, expressa o que é o ser humano com a sua torpe verdade. Assim, tanto para o butoka quanto para aqueles que o vêem dançar, as máscaras sociais são arrancadas e a verdade de cada um é brutalmente desvendada causando, consequentemente, uma espécie de alvoroço interior que nos obriga a sair de nossas estaticidades e conformações em busca do nosso verdadeiro eu. Assim, se compreende o intento de Hijikata ao pretender o Butoh não como uma simples dança, mas como uma filosofia.

Influências

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Yoshito e Kazuo Ohno

A influência de Ohno na cultura foi além da dança – e ele chegou a ser capa do disco “The crying light”, do grupo norte-americano Anthony & The Johsons. Esteve três vezes no Brasil, nos anos de 1986, 1992 e 1997. Morreu no ano de 2010, com 103 anos.

Para o diretor de teatro, Antunes Filho, “Kazuo Ohno é um expoente, juntamente com Charles Chaplin e Picasso. Kazuo é o meu guru. Vi pela primeira vez o trabalho de Kazuo na França, no Festival de Nice, em 81 ou 82 e fiquei fascinado com aquilo, com a sua visão do mundo completamente diferente. Estava lá no festival, nunca tinha ouvido falar do trabalho dele e fui ver. A sala estava quase vazia, mas aquilo me fascinou tanto que voltei para vê-lo todos os dias que se apresentou. Foi um impacto. Para mim Kazuo trouxe uma luz em meio a tanta coisa conservadora no teatro brasileiro. Kazuo vai muito mais a fundo nas questões da vida. Fui até o estúdio dele no Japão para assistir seu trabalho e fiquei embevecido. (…) Ele tem algumas referências ocidentais em seu trabalho, como o catolicismo, mas me identifico com ele. É ele lá, com o catolicismo, e eu aqui, com o budismo. Seu trabalho tem influência direta no meu, adotei referências do butô em meu trabalho.”

Confira algumas fotos de Kazuo Ohno

Confira um vídeo raríssimo de Kazuo Ohno e seu filho Yoshito Ohno.
Nele, a lendária cena “Dead Sea” e “A Mesa”, onde Kazuo homenagea seus ancestrais que já se alimentaram sobre ela.

Fontes:
G1 
Wikipedia
Caleidoscopio

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