[Quarta Parede] A Hipocrisia na Arte…

Todos falavam que Samara deveria ser atriz por ser falante e muito expressiva, mas decidiu seguir carreira na publicidade. Durante muito tempo trabalhou em boas empresas, recebendo excelentes salários, mas estava cansada, com vontade de largar a profissão para fazer algo diferente. Em um dia muito quente, afinal era verão, Samara reencontrou Isadora no Metrô, uma colega dos tempos da escola e descobriu que a jovem é atriz e responsável por uma companhia de teatro. Não demorou muito, Samara pediu as contas do seu emprego e foi trabalhar no teatro. No grupo teatral de Isadora. Fez algumas peças e por ser talentosa e muito inteligente, conseguiu rapidamente o DRT, se profissionalizando assim na profissão de atriz. Estava muito feliz e apaixonada pela arte. E gritava para todo mundo ouvir a sua mais nova paixão, que ela dizia ser eterna. Porém, os tempos felizes se foram muito depressa…

No inverno, Samara estava com pouco dinheiro e percebeu que o teatro não poderia lhe ajudar financeiramente. Havia guardado uma boa quantia, por isso sobrevivia muito bem, mas a renda estava acabando. E agora? As peças da companhia eram boas, assim como o elenco, mas o grupo ainda não conseguia ter lucro suficiente para o sustento dos artistas. Samara entrou em desespero! Pensou em desistir…

Com a primavera, Samara resolveu utilizar a sua experiência em publicidade para alavancar o marketing da companhia. Afinal, apesar de todos do grupo, incluindo Isadora, serem esforçados, nenhum tinha o dom empresarial. Samara assumiu esta responsabilidade também, tornando-se uma espécie de líder, e as coisas melhoraram, porém, mesmo assim, para ela, os resultados chegavam de forma muito lenta… Samara estava cansando.

Chegou o verão novamente, Samara arranjou um namorado e queria ter tempo para ele. Pediu para ser afastada de dois espetáculos em que atuava. Não queria mais ensaiar e se apresentar todo fim de semana. Continuou ajudando na publicidade e na parte empresarial, mas não resistiu. Recebeu um convite de um amigo, dos tempos da faculdade, para trabalhar em sua empresa, recebendo um ótimo salário na área de publicidade. O relacionamento com o teatro terminou de forma melancólica, no cair das folhas do outono.

Agora… Vamos aos fatos? Já foi mais do que repetido nesta e em outras colunas deste espaço, que a vida artística não é fácil, não há lucro imediato, e é necessário muito esforço e sacrifícios. Apenas sobrevive quem realmente é forte o suficiente para enfrentar tantas lutas e dificuldades. Não adianta gritar no calor de uma paixão de verão que ama o teatro, que ama atuar, sendo que nas primeiras, segundas, terceiras, e quartas dificuldades, já quer desistir. Isso é hipocrisia! O melhor é fazer cursos e oficinas, pois a arte profissional precisa de pessoas firmes, que não desistam tão facilmente. Pelo contrário, pois na primavera há de brotar os mais lindos resultados.

Quer ser um ator profissional? Esteja ciente das responsabilidades, facilidades e dificuldades da profissão. Não se brinca com nenhuma profissão. Então… Sem hipocrisia, por favor! Não brinque de ser artista. Seja artista de verdade, ou nem tente se profissionalizar…

Texto de Luana Manso
Revisado por Zilma Barros
Foto: Marieta Severo (Atriz)

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