[Quarta Parede] Sou vizinho de um teatro!

Numa determinada rua havia uma casa onde moravam pessoas “alegres”, que adoravam promover festas até altas horas da noite, sem o menor respeito pelos vizinhos. Denúncias eram feitas, mas pouco ou quase nada resolvia. A família que morava naquela residência era numerosa. Todos muito bem estudados e com boas condições financeiras, porém sem a educação adequada…

Eis que surge uma novidade naquela rua! Uma escola de teatro e dança é aberta em frente da tal casa barulhenta. E com os ensaios, tanto dos espetáculos quanto das coreografias, havia muita música, além da movimentação de entrada e saída de alunos. Mas tudo dentro do limite permitido, pois a direção da escola tinha muito cuidado para não desrespeitar os vizinhos. Porém, alguém se sentiu mal com aquela arte toda em seus ouvidos e foi reclamar. Maurício, um dos filhos do dono da residência festeira. Além das algazarras organizadas em seu lar com a sua família e amigos, o jovem frequentava baladas até altas horas, por isso, era “inaceitável” em pleno sábado de amanhã acordar ouvindo “O Lago dos Cisnes”, clássica música do compositor Tchaikovsky, que faz parte da apresentação do balé dramático de mesmo título. Coitado do rapaz! Merecia paz, não é mesmo? Por isso, ligou na escola pedindo para não tocarem mais a dramática melodia, afinal, precisava dormir!

– O som está de acordo com o horário e não podemos abrir mão dele, pois as aulas necessitam de música. Acredito inclusive, que ela faz bem a quem deseja dormir e relaxar! – Disse Solange, a recepcionista do teatro.

– Ok! Obrigado pela atenção! Vou dormir profundamente e com certeza sonharei com muitos cisnes! – Disse Mauricio, encerrando a ligação de forma brusca.

O que começou depois disso foi uma verdadeira guerra! Maurício, depois de dormir, ou melhor, tentar dormir resolveu antecipar as festinhas em sua casa e começou a farra bem no horário das aulas do curso de teatro à tarde. Enquanto o professor tentava falar, o som estridente de um funk tocava sem parar! Ele, então, chamou a polícia. Maurício, revoltado, disse ao policial que o seu sono estava sendo interrompido pelo barulho da escola de artes! E que era um absurdo ter um teatro em frente à sua casa. Sua família concordou e para piorar a tragédia, uma senhora, moradora antiga, reclamou do espaço também, alegando que aquele bairro é somente para residências! Como nada estava fora da lei, o caso foi encerrado, porém uma situação difícil já estava instaurada.

Maurício e sua família mudaram para outra casa, ampla o suficiente para as festas que tanto adoram promover. Já a escola de artes infelizmente continuou sofrendo com a intolerância de uma vizinhança que reclama da falta de incentivo à cultura, mas quando tem a oportunidade de morar próxima a um teatro, desperdiça-a com críticas ao local. Uma realidade de um país repleto de desigualdades, onde poderiam dar maior atenção às artes, porém, determinada parcela da população não dá a mínima para isso. Preferem seguir a coreografia de um funk, rebaixando à vulgaridade a beleza e sutileza de “O Lago dos Cisnes”.

Texto de Luana Manso
Revisado por Zilma Barros

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