[Quarta Parede] Teatro de Cinzas

Colombina foi à luta! Atriz profissional, jovem e bonita, não queria desperdiçar nenhuma oportunidade. Agenciou-se em uma agência de modelos e atores, pagando uma fortuna num book fotográfico. “Linda, maravilhosa! Você tem muito potencial, menina”. Disse Dottore, o booker da agência.  Colombina sentiu-se nas nuvens! E acreditou nas palavras dele! Mas ao virar as costas, nem percebeu que o rapaz falou exatamente a mesma coisa para outra garota. Nas redes sociais, a jovem atriz olhava os testes que selecionam elenco para comerciais, filmes e peças.  Estava sempre disponível! Acreditava que iriam chover propostas e mais propostas. Cadastrou- se nas emissoras de televisão e passou a fazer plantão em frente a uma delas a fim de encontrar algum produtor, diretor ou até mesmo um ator para obter contatos e oportunidades. Colombina é determinada, não ia desistir.
Acontece que o tempo passou e nada acontecia. Os trabalhos na agência não apareciam. Já os testes que encontrava nas redes sociais… em sua maioria eram produções ruins, de pessoas despreparadas e em locais de péssima estrutura e com cachê (quando tinha) vergonhoso.  Colombina estava impaciente, porém finalmente foi chamada para a seleção de um grande espetáculo musical.  Como é inteligente e já havia feito aulas de canto, estava confiante que esta seria a sua grande chance. De fato, foi muito bem no teste. Capitano, o diretor galante e charmoso, fez algumas perguntas e deixou claro certa “preferência” por ela. “Além de bonita, tem potencial para ser uma grande estrela. Tem porte de protagonista, age como uma protagonista!”. Mais uma vez, a atriz ficou nas nuvens, além de encantada pelo diretor… mas não foi selecionada nem para o elenco de apoio!
Quando tudo parecia perdido recebeu um convite para participar de um espetáculo em uma companhia teatral. Ficou feliz, pois a personagem era uma das protagonistas. Pierrot, o diretor a tratava de forma objetiva e profissional. Não enaltecia o seu talento, mas também não o desmerecia.  Colombina gostou muito do processo e se deparou com um grupo muito corajoso e batalhador. Mas, infelizmente, a peça não vingou e o grupo se desfez.  Colombina ficou muito triste.  Gostou da experiência nos palcos e tentou trabalho em outras companhias, mas viu o quanto é difícil ingressar em grupos estabilizados. Precisou arranjar um emprego fora da área artística e a cada dia mais infeliz ficava.
Arrependeu-se muito! Colombina foi uma aluna rebelde e como profissional correu atrás das oportunidades erradas e diante da única coisa certa que a arte lhe proporcionou, logo a perdeu de vista. Dionísio, deus do teatro, não estava sendo justo, pensava. Como a arte é uma energia viva que pulsa e escolhe a quem deve lhe pertencer, sentiu que estava sendo expulsa, que não a queria mais.  O vazio de não representar, a ausência da euforia de um novo texto e as descobertas e aprendizados no estudo do personagem, a matavam por dentro.  Seus sonhos estavam jogados ao chão. É o fim de festa sem perspectivas para um novo começo. Ou recomeço. No carnaval, tudo termina na quarta-feira de cinzas! Mas no próximo ano sabemos que tem mais. Porém, Colombina não sabia quando teria de volta uma chance. Infelizmente, há muitos profissionais que sofrem pela falta de um trabalho. Amar o que faz e não poder fazer, é uma dor imensurável ao verdadeiro artista. Porém, quando as cinzas ressurgem como a fênix, esta dura passagem será valiosa para o amadurecimento artístico.
 Agora tu já sabes, Colombina!
Tens uma nova chance em tuas mãos.
Não a desperdices com sandices
A arte nunca expulsa seus filhos, ela só aplica bons ensinamentos!
Texto de Luana Manso
Revisado por Zilma Barros

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