[História] O beijo mais polêmico da história do teatro brasileiro foi escrito por Nelson Rodrigues em 1960

Não existe um inventor do beijo, e nem uma data onde o costume começou, porém pesquisadores, cientistas e antropólogos têm por anos discutidos teorias de como esse costume começou. Inicialmente acredita-se que tenha se iniciado dentro de rituais religiosos antigos, em sinal de respeito, mas também é identificado como um fator cultural, onde as pessoas com a necessidade de demonstrar sinais de afeto pelos outros, usavam o beijo para se expressar.

O Beijo no Cinema

O primeiro beijo do cinema – O Beijo (1896)

– O primeiro beijo no cinema foi no filme “O Beijo” (1896), filmado por Thomas Edison, com apenas 26 segundos. O filme foi protagonizado por John C. Rice e May Irwin.
– O primeiro beijo de língua foi exibido nas telonas em 1961. Quem protagonizou-o foi Natalie Woods e Warren Beatty, em “Clamor do Sexo”.
– O primeiro beijo homossexual do cinema foi dado no filme “Manslaughter”, de 1922, dirigido por Cecil B. DeMille.
– O beijo mais longo já visto nas telonas foi no filme “Elena Undone” (2010), duas mulheres se beijam por 3 minutos e 23 segundos.
– Vida Alves (1928 – 2017) e Walter Forster foram responsáveis pelo primeiro beijo da TV brasileira, na década de 50, e Vida também deu o primeiro beijo gay da TV brasileira, juntamente com a atriz Geórgia Gomide, nos anos 60.

O beijo polêmico de Nelson Rodrigues

O beijo mais polêmico da história do teatro brasileiro foi escrito por Nelson Rodrigues em 1960.
A peça “O Beijo no Asfalto”, escrita especialmente para o Teatro dos Sete, foi encenada pela primeira vez em 1961, dirigida por Gianni Ratto, com Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Fernando Torres, Oswaldo Loureiro, Suely Franco, entre outros. (Na foto, Ítalo Rossi e Fernanda Montenegro)
Um homem é atropelado por um ônibus na rua e cai no asfalto. Arandir, que a tudo assiste, corre para acudir a vítima, debruça-se sobre ele e lhe dá um beijo na boca. Seu gesto é logo interpretado por um repórter da imprensa sensacionalista, Amado Ribeiro, como manifestação de homossexualidade.
Arandir, revoltado, pois sua atitude foi apenas de solidariedade humana, perde o emprego, é acusado pelo sogro Aprígio, que tenta convencer a filha de que seu casamento é uma farsa. Aprígio, que sempre rejeitou o genro, tem agora a oportunidade de expulsá-lo da vida da filha. Somente Dália, a cunhada apaixonada por Arandir, acredita em sua verdade.
O beijo vira manchete de jornal e o noticiário é alimentado pelo repórter Amado, cuja estreita ligação com o delegado Cunha leva o caso à esfera policial forjam a versão de que Arandir e o morto já se conheciam e, inclusive, eram amantes.O enredo parece simples, mas não é nada convencional, como é de se esperar ao se tratar de Nelson Rodrigues. Além das temáticas características do autor, como repressão social, moral hipócrita e bloqueios sexuais, o drama mostra uma vida destruída por um jornal. Misturada ao retrato da imprensa sensacionalista, está a análise do comportamento abusivo de alguns policiais.

O Beijo no Asfalto se materializa muito a frente de seu tempo. Podemos dividir a peça em duas linhas temáticas: “o beijo no asfalto”, no sentido literal e “o beijo no asfalto” manchete.
Sendo assim a peça de um lado retrata o escândalo do beijo homossexual e de outro a repercussão deste. A imprensa além de especulativa está aliada ao órgão policial, que após sua incompetência, se une ao jornal. O tema homossexualidade acaba por constituir a grande interrogação da história e ficar em segundo plano. O final, fantástico da à peça uma dimensão impensável. Nelson nos escancara na sua dramaturgia e nos aponta o que temos de pior.

Cinemas

A peça teve ainda duas versões cinematográficas, a primeira em 1964, O Beijo, com direção de Flávio Tambellini (pai), com Reginaldo Faria, Norma Blum, Xandó Batista e Jorge Dória nos papéis centrais, e a segunda em 1981, com direção de Bruno Barreto e elenco composto por Ney Latorraca, Christiane Torloni, Tarcísio Meira, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro, Lídia Brondi e Caio Brossa no elenco.

Está para sair uma nova versão com direção de Murilo Benício, o elenco traz nomes como Débora Falabella e Lázaro Ramos, no papel de Arandir. Murilo filmou tudo em 11 dias, em preto e branco e com um orçamento de R$ 1 milhão de seu próprio bolso, misturando à trama cenas dos bastidores, imagens de camarim e até uma leitura do texto conduzida pela diva Fernanda Montenegro.

E você, já beijou hoje? :*

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