[Atores Entrevista] Aquele Que Nasceu

No [Atores Entrevista] de hoje conversamos com Pedro Uchoa, que faz seu primeiro monologo com textos de sua autoria, na peça Aquele Que Nasceu, que está em cartaz no Sesc Copacabana, às terças e quartas do mês de junho, com direção de Adriano Basegio.

Pedro falou sobre o processo de criação dos textos e como é a relação ator-dramaturgo. Confira a reportagem e as fotos.

AD: “Atuar é escrever com o corpo e escrever é atuar com o lápis”. Você coloca essa frase no programa da peça. Fale um pouco dessa sensação de estar em cena com um texto escrito por você.

PU: É engraçado porque… vem da necessidade. As cenas nasceram juntas, desde a primeira cena, do Severino, que eu escrevi até hoje são sete anos, né. E ai conheci o Adriano (diretor), que fez isso nascer de verdade, transforAquele que nasceu-66.jpgmar, sair do papel e virar cena.
Eu adoro escrever, eu amo escrever. Então é um prazer além de escrever poder atuar os meus próprios textos. E é ótimo porque eu posso mudar o texto que o dramaturgo não se importa (risos).

 

AD: E essa é a primeira vez de um texto seu em cena? Primeira vez que você atua em um texto seu?

PU: A gente já fez um exercício, de um processo que ainda queremos retomar, chama “Bodas de Lápis Lazuli“, é outro texto meu que faço com uma atriz, e conta a história de um casal que viveu por 57 anos, foram casados por 57 anos e 57 minutos, que é quando se faz a Bodas de Lápis Lazuli. E também faço parte de um coletivo de dramaturgia, Coletivo Falcão, que tem essa coisa do dramaturgo em cena, nós escrevemos e atuamos nossos próprios textos.
Mas o que é muito legal nesse processo é que eu boto um fim ao dramaturgo, sabe. A partirAquele que nasceu-16.jpg do momento que a gente começou a ensaiar essa peça o texto já estava pronto, então a gente não construiu o texto no processo, o texto já existia e ai o dramaturgo “morreu” e virou ator, tanto que não tem apego a mais nada e foi como um processo normal de cortar texto.

 

 

AD: Seguindo essa linha do ator-dramaturgo, e ainda a questão de ser o seu primeiro solo, a responsabilidade se torna maior?

PU: Na verdade eu nunca criei expectativas. Eu estou fazendo um texto meu porque não fica aquela coisa de “o que fazer? O que fazer?”, e ai foi “ah, vou escrever um texto meu”. E foi nascendo naturalmente. Nunca pensei “ah, vou fazer um solo”, nasceu assim, naturalmente.

AD: As quatro histórias que você conta, elas tiveram alguma relação com a sua vida, com você ou foram criadas a partis de depoimentos e/ou situações de outras pessoas? Porque elas tem pontos em comum embora sejam muito diferentes.

PU: Elas tem tempos diferentes, momentos diferentes da minha vida, por exemplo, o Severino eu escrevi em uma “gozada”, sabe, foi inteira de uma vez, não mudei o tratamento, talvez uma palavra ou outra mas o tratamento sempre foi a mesma coisa. A segunda cena eu tinha que escreve em uma voz feminina. Na terceira, eu mostrei os textos pra uma amiga e ela questionou “porque você não escreve Romeu e Julieta?”, mas Romeu e Julieta já foi escrito, né… mas tem caldo ai. E ai eu morava em São Paulo, e na Roosevelt eu soltei essa piadinha “vocês sabem quais foram as primeiras palavras do Romeu quando chegou no Paraíso?! Ta de sacanagem que a Julieta tomou sonífero!!” e riram! Então, pensei “tem caldo”. Ai escrevi a cena do Romeu, mas essa foi mais por escrever mesmo. A última foi de um espetáculo do Coletivo Falcão e tinha tudo a ver com esse processo e eu mostrei pro Adriano e achamos uma forma de encaixar no espetáculo.

Aquele que nasceu-39

 

Sinopse:

Sem julgamentos de credo ou causa, AQUELE QUE NASCEU dá voz a personagens que narram, a partir de naturezas dramatúrgicas distintas, como suas vidas vieram de encontro à morte, como se o óbito trouxesse o privilégio da liberdade de expressão sem condenação.

 

Serviço:

Temporada: De 07 a 29 de junho (2016).

Local: Sala Multiuso do Espaço SESC Copacabana – Cine Teatro.

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Informações: (21) 2547-0156

Dias e Horários: Às 3ªs e 4ªs feiras, às 20h.

Horário de Funcionamento da Bilheteria: Aberta de 3ª feira a domingo, das 15h às 21h.

Valor do Ingresso: R$5,00 (associado do Sesc), R$10,00 (meia-entrada), R$20,00 (inteira).

Classificação Indicativa: 10 anos.

Duração: 55min.

Lotação: 50 lugares.

 

Texto e Atuação: Pedro Uchoa
Direção: Adriano Basegio
Luz: Ana Luzia de Simoni e João Gioia
Figurino: Renata Mota
Trilha Sonora: João Ribeiro
Programação Visual: Daniel de Jesus
Fotografia: Elisa Mendes
Maquiagem: Ana Karenina Riehl
Costureira: Vera Costa
Operador de Som: João Ribeiro
Operador de Luz: Pedro Meirelles
Voz em Off de Julieta: Juliana Fernandes
Direção de Produção: Renata Campos

 

 

Matéria: Bruna Leal
Fotos: Lucas Asseituno

Confira as fotos:

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